Pesquisa levou em consideração 21
regiões metropolitanas. Na capital, o tempo médio de deslocamento é de
49 minutos e na Região Metropolitana de Curitiba é de 51,9 minutos.
Média nas regiões analisadas foi de 62,7 minutos
Curitiba tem um dos menores tempos médios
de deslocamento no transporte coletivo do país. Levantamento do Estudo
Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério
das Cidades, mostra que a capital paranaense registra média de 49
minutos por viagem, desempenho significativamente melhor que a média
nacional, de 62,7 minutos. Se deslocar de ônibus em Curitiba é 13
minutos mais rápido (21%) do que a média das regiões metropolitanas
pesquisadas.
Entre as 21 regiões metropolitanas
analisadas no estudo, a de Curitiba (incluindo os demais municípios)
aparece entre as seis melhores colocadas no ranking nacional. A média da
RMC é de 51,9 minutos. As zonas próximas ao limite da área de estudo
apresentam os maiores tempos médios, enquanto zonas centrais em
Curitiba, os menores tempos.
A RMC fica atrás apenas
de Maceió (AL), 34,36 minutos; Baixada Santista (SP), 43,1 minutos;
Natal (RN), 46,3 minutos; Salvador (BA), 48, 4 minutos; e Belém (PA),
49,1 minutos. Na outra ponta do ranking aparecem São Luís (MA), 105,9
minutos; Grande Vitória (ES), 90,3 minutos; Recife (PE), 82,7 minutos; e
Fortaleza (CE), 80,8 minutos, regiões metropolitanas que apresentam os
maiores tempos médios de deslocamento do país.
O
estudo aponta que, apesar dos desafios enfrentados pela mobilidade
urbana no Brasil, Curitiba mantém um desempenho acima da média nacional e
investe para reduzir ainda mais o tempo gasto pelos passageiros nos
deslocamentos diários.
“Curitiba já tem o
transporte público mais integrado do País com sua região metropolitana e
um sistema, por corredores exclusivos, que dá agilidade ao deslocamento
da população. Mas a nossa meta é que cada vez mais a população possa
sair mais tarde de casa para trabalhar e voltar mais rápido para
descansar. Temos, para os próximos quatro anos, um amplo programa de
melhorias para o transporte coletivo, com o novo contrato de concessão,
mais integração e sustentabilidade”, diz o prefeito Eduardo Pimentel.
Estudo
O
estudo destaca a capital paranaense pelos avanços em planejamento,
integração operacional, infraestrutura, sustentabilidade e modelo de
financiamento do transporte coletivo.
O levantamento
aponta Curitiba como o "exemplo clássico" de planejamento de transporte
público no Brasil, graças ao modelo tronco-alimentado implantado na
cidade. A organização da rede, formada por linhas Ligeirão, Expressas,
Interbairros, Diretas, Alimentadoras, Troncais e Convencionais,
integradas por estações-tubo e terminais, é considerada um dos
principais diferenciais do sistema, garantindo maior racionalização da
oferta e eficiência operacional.
Na avaliação das 21
regiões metropolitanas analisadas, Curitiba recebeu nota 4, em uma
escala de até 5, no indicador de integração e tronco-alimentação. O
estudo ressalta que a cidade possui uma rede predominantemente
estruturada em escala metropolitana, enquanto grande parte das demais
regiões ainda enfrenta sobreposição de linhas e baixa integração entre
os serviços.
Outro destaque é a infraestrutura
exclusiva para ônibus. Curitiba conta com 79,57 quilômetros de canaletas
exclusivas, utilizadas principalmente pelas linhas Ligeirão e
Expressas. Segundo o estudo, essa estrutura protege o transporte
coletivo dos congestionamentos do tráfego geral, garantindo melhor
velocidade operacional e maior regularidade das viagens.
Considerado
um dos transportes coletivos mais eficientes do Brasil, o sistema de
Curitiba foi pioneiro na implantação do o BRT (Bus Transit Rapid),
sistema de canaletas exclusivas para transporte das linhas expressas,
que formam eixos de deslocamento pela cidade, nos sentidos Norte e Sul e
Leste/Oeste.
Nestes corredores, que transportam 65%
dos passageiros do transporte coletivo de Curitiba, os ônibus têm
conquistado mais velocidade com os Ligeirões, que têm menos paradas.
Ligeirões
Em
2024 entrou em funcionamento a linha BRT Ligeirão Norte/Sul, que
diminuiu o tempo de deslocamento em 15 minutos entre os Terminais Santa
Cândida e Pinheirinho. Está em implantação o BRT Ligeirão Leste/Oeste,
que vai diminuir em 23 minutos o tempo de deslocamento com 11 paradas no
trajeto.
Segundo o presidente da Urbanização de
Curitiba, Ogeny Pedro Maia Neto, a ampliação da integração temporal na
cidade, que permite a troca de ônibus pelo passageiro sem ter que pagar
mais uma nova passagem e sem que para isso ele tenha que estar em uma
estação-tubo ou terminal, também contribui para deslocamentos mais
eficientes. “O passageiro passa a fazer o seu próprio itinerário sem
depender das integrações em pontos fixos. Isso torna o deslocamento mais
rápido também”, diz. No ano passado entrou em vigor a integração
temporal em dois pontos importantes do transporte coletivo da capital,
nas Praças Rui Barbosa e Carlos Gomes.
Em termos de
infraestrutura de transporte coletivo de média e alta capacidade,
Curitiba possui uma das quatro maiores redes do país, atrás apenas de
São Paulo e Rio de Janeiro e ao lado do Distrito Federal. Quando
considerado o indicador de extensão da rede por habitante, a capital
paranaense aparece entre as líderes nacionais, juntamente com o Rio de
Janeiro, como uma das únicas regiões metropolitanas com mais de 30
quilômetros de infraestrutura para cada milhão de habitantes.
A
sustentabilidade também é apontada como um dos pontos fortes da cidade.
O estudo destaca o PlanClima, plano municipal que estabelece a meta de
neutralidade de carbono até 2050.
Além dos aspectos
operacionais, Curitiba também recebeu reconhecimento pela estrutura
financeira que sustenta o transporte coletivo. O ENMU aponta a cidade
como a única entre as 21 regiões metropolitanas analisadas a atingir o
modelo considerado ideal no eixo de financiamento e garantias.
Ao
lado do Rio de Janeiro, Curitiba está entre as poucas cidades
brasileiras que possuem fundos de mobilidade efetivamente estruturados. O
estudo destaca, em especial, o Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC),
classificando a capital como a única região metropolitana do país com um
fundo estruturado e mecanismo de recomposição automática de recursos,
característica que proporciona maior estabilidade financeira ao sistema e
amplia sua capacidade de planejamento e investimentos de longo prazo.
Investimentos
O
ENMU reuniu 187 projetos de implantação, expansão e requalificação de
sistemas de transporte público em 19 capitais brasileiras, além de
Campinas e da Baixada Santista, no estado de São Paulo. A estimativa do
BNDES é de que sejam necessários mais de R$ 400 bilhões em
investimentos para ampliar a infraestrutura de mobilidade urbana no
país.
A meta do estudo é reduzir o tempo médio de
deslocamento das regiões metropolitanas brasileiras de 62,42 minutos
para 56,06 minutos até 2054, caso todos os investimentos indicados pelo
BNDES sejam executados.
Além da redução no tempo de
viagem, o estudo aponta que os investimentos poderão ampliar a
acessibilidade ao transporte público, fortalecer a integração entre os
modais, reduzir acidentes de trânsito, diminuir as emissões de gases de
efeito estufa e contribuir para uma redução média de 11% nas tarifas.
Segundo
o BNDES, além dos investimentos em infraestrutura, será necessário
fortalecer a governança do transporte metropolitano, ampliar a
integração tarifária e garantir fontes permanentes de financiamento para
que os projetos possam sair do papel e melhorar a mobilidade nas
cidades brasileiras.
Fonte Prefeitura de Curitiba