Aeroporto do Rio de Janeiro é o primeiro da América Latina autorizado pela ANAC a receber o novo gigante bimotor da Boeing; primeira entrega do modelo está prevista para 2027
O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, deu um importante passo para acompanhar a evolução da aviação comercial de longo curso. O terminal se tornou o primeiro aeroporto da América Latina autorizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) a operar o Boeing 777-9, nova geração da família 777 e considerado pela Boeing o maior jato comercial bimotor do mundo.
A autorização foi formalizada pela Portaria nº 19.779/SIA, de 11 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 14 de agosto. O processo de adequação operacional vinha sendo conduzido pela concessionária RIOgaleão junto à ANAC desde 2024.
Mas o que exatamente essa autorização significa?
🛫 Não é simplesmente uma autorização para o avião pousar
A decisão da ANAC não significa que o Boeing 777-9 esteja liberado para chegar ao Galeão a qualquer momento ou em qualquer condição.
O que foi alterado foi o certificado operacional do aeroporto, incluindo o 777-9 entre as aeronaves que podem realizar operações especiais no terminal.
A portaria estabelece que as operações com o Boeing 777-9, assim como com o Boeing 747-8 e o Airbus A380, devem seguir os procedimentos especiais descritos no Manual de Operações do Aeródromo (MOPS), aprovado pela ANAC.
Na prática, isso significa que o aeroporto passou por um processo de avaliação e adequação operacional para demonstrar que consegue receber uma aeronave dessas dimensões dentro das condições e procedimentos estabelecidos pelo órgão regulador.
É uma diferença importante: não se trata apenas de verificar se a pista é longa o suficiente. A operação de uma aeronave de grande porte envolve uma série de fatores relacionados ao deslocamento do avião pelo aeroporto, estacionamento, circulação em solo, separação de outras aeronaves e procedimentos de segurança.
📐 Um gigante de 76,7 metros
O Boeing 777-9 impressiona pelas dimensões.
A aeronave terá 76,7 metros de comprimento e 71,8 metros de envergadura durante o voo, podendo transportar até 450 passageiros, dependendo da configuração escolhida pela companhia aérea.
Uma das principais características do projeto está justamente nas asas.
As pontas das asas podem ser dobradas quando a aeronave está no solo, reduzindo sua envergadura e facilitando sua movimentação e utilização de posições de estacionamento compatíveis com aeronaves da atual família 777.
É uma solução de engenharia importante para um avião que, em voo, possui dimensões ainda maiores.
🚧 O que são as “operações especiais”?
A expressão pode parecer complicada para quem não está familiarizado com a aviação, mas ela é fundamental para entender a autorização.
Quando a ANAC inclui uma aeronave desse porte nas especificações operativas do aeroporto, sua utilização fica vinculada aos procedimentos específicos aprovados para aquele terminal.
Esses procedimentos podem estabelecer como a aeronave deve se movimentar pelo aeroporto, quais áreas podem ser utilizadas, quais condições devem ser observadas e quais restrições precisam ser respeitadas.
A própria Portaria nº 19.779 estabelece, por exemplo, uma restrição operacional em condições meteorológicas de voo por instrumentos (IMC) envolvendo a circulação de aeronaves de grande porte na pista de táxi B enquanto houver determinadas operações na pista 15/33.
Ou seja, a autorização não é um “passe livre”.
É uma autorização acompanhada de regras e condições operacionais específicas, justamente para que uma aeronave de grandes dimensões possa ser movimentada com segurança dentro do aeroporto.
🛬 Galeão já estava preparado para outros gigantes
O 777-9 não será o primeiro avião de dimensões excepcionais autorizado a operar no Galeão.
O aeroporto já possuía autorização para operações especiais com dois outros gigantes da aviação comercial: o Airbus A380 e o Boeing 747-8. Agora, o 777-9 passa a integrar esse grupo.
O A380, com seus dois andares e capacidade para mais de 500 passageiros dependendo da configuração, continua sendo o maior avião comercial de passageiros já produzido.
Já o 777-9 representa uma proposta diferente: um avião de dois motores, grande capacidade e destinado principalmente a rotas internacionais de longa distância.
🌎 Um avião que ainda nem entrou em serviço
Outro ponto importante é que o Boeing 777-9 ainda não iniciou operações comerciais.
A aeronave permanece no processo de certificação, enquanto a Boeing trabalha para concluir os testes necessários. A fabricante prevê a primeira entrega em 2027. Em atualização publicada em agosto, a empresa informou que a frota de testes do 777-9 já havia acumulado mais de 1.700 voos e 4.800 horas de voo.
Portanto, a decisão tomada agora pela ANAC é uma espécie de preparação antecipada do Galeão para uma aeronave que deverá começar a entrar nas frotas das companhias aéreas a partir do próximo ano.
✈️ Companhias que já voam para o Rio têm pedidos do 777-9
A autorização também chama atenção porque algumas empresas que já operam no Galeão estão entre as clientes do programa 777X.
Emirates, Lufthansa e British Airways possuem pedidos de aeronaves da família 777X e atualmente mantêm operações no Galeão. Isso, porém, não significa que alguma delas já tenha anunciado que utilizará o 777-9 em seus voos para o Rio.
A autorização da ANAC elimina, portanto, uma possível limitação aeroportuária caso uma companhia decida futuramente escalar o modelo no Galeão.
📊 O que muda para o Galeão?
Do ponto de vista da infraestrutura aeroportuária, a autorização amplia o conjunto de aeronaves de grande porte que o terminal pode receber dentro de condições operacionais previamente estabelecidas.
Para um aeroporto internacional, isso é relevante porque as companhias aéreas estão constantemente renovando suas frotas e escolhendo quais aeronaves utilizar em cada rota.
Ter a infraestrutura e os procedimentos regulamentados para receber modelos como A380, 747-8 e 777-9 permite que o Galeão esteja preparado para diferentes cenários de operação internacional.
Mas existe uma diferença importante entre estar autorizado a receber uma aeronave e ter um voo comercial programado com ela.
A autorização é da esfera regulatória e operacional. Já a decisão de colocar o 777-9 em determinada rota depende da companhia aérea, de sua estratégia de frota, demanda, planejamento e programação de voos.
🔎 Portal da Mobilidade explica
A decisão da ANAC mostra como a operação de um grande aeroporto vai muito além da pista de pouso.
Para receber aeronaves cada vez maiores, é necessário planejamento, procedimentos operacionais específicos, avaliação de segurança e integração entre infraestrutura aeroportuária, empresas aéreas e autoridade reguladora.
No caso do Galeão, a autorização para o Boeing 777-9 chega antes mesmo da entrada comercial do modelo em serviço.
Assim, quando os primeiros 777-9 começarem a ser entregues, a partir de 2027, o aeroporto carioca já terá as condições operacionais regulamentadas pela ANAC para receber esse novo gigante da aviação, sempre dentro dos procedimentos especiais estabelecidos para o terminal.
Do A380 ao 777-9, o Galeão se prepara para continuar conectado à evolução da aviação internacional.
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