Estudos com apoio técnico do Laboratório de Transportes e Logística
da Universidade Federal de Santa Catarina (LabTrans) e liderados pela
Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese) subsidiam a
modelagem preliminar do novo sistema de transporte coletivo urbano de
São José, município situado na Grande Florianópolis. A proposta está em
consulta pública até 19 de setembro e prevê ampliar o serviço das atuais
sete linhas e 23 ônibus para até 17 linhas e 30 veículos.
De acordo com a pesquisadora Geruza Kretzer, do LabTrans, os
levantamentos apontaram problemas que afetam diferentes aspectos da
operação. “As pesquisas realizadas e a análise dos dados operacionais
identificaram como principais desafios a baixa oferta de horários,
especialmente à noite e nos fins de semana, deficiências na integração
entre linhas e sistemas, lacunas de cobertura em algumas regiões do
município e tempos de deslocamento elevados”, explica.
O trabalho reúne dados sobre demanda, deslocamentos da população e
operação do sistema atual para apoiar o planejamento e a estruturação do
futuro modelo de concessão do transporte coletivo. As análises
permitiram identificar necessidades relacionadas à cobertura,
frequência, integração e eficiência do serviço.
As condições dos veículos e dos pontos de parada também aparecem no
diagnóstico, assim como a necessidade de aprimorar as informações
disponibilizadas aos usuários. Outro aspecto identificado foi a
distribuição desigual da demanda, concentrada em determinados horários e
eixos, enquanto outros trechos apresentam baixa utilização. Segundo
Geruza, esse cenário indicou “a necessidade de uma rede mais flexível e
adequada aos diferentes padrões de deslocamento da população”.
Pesquisas identificaram padrões de deslocamento
As pesquisas de Origem e Destino e de Embarque e Desembarque foram
utilizadas para compreender como a população se desloca e de que forma o
sistema existente é utilizado. “As pesquisas mostraram um forte padrão
pendular de deslocamento, com concentração das viagens nos períodos da
manhã e do fim da tarde, principalmente em direção aos principais polos
de emprego, comércio e serviços do município”, explica a pesquisadora.
Os dados também evidenciaram a concentração dos fluxos em alguns
eixos estruturadores e a forte relação de São José com o sistema de
transporte da Região Metropolitana. Ao analisar a utilização das linhas
ao longo do dia e nos diferentes sentidos de operação, os estudos
identificaram trechos e horários com baixa ocupação e áreas onde a
demanda não é atendida adequadamente. Essas informações também
permitiram identificar oportunidades para tornar os itinerários mais
diretos e eficientes.
Ampliação considera demanda, cobertura e frequência
A proposta de passar de sete para até 17 linhas e de 23 para 30
ônibus foi definida a partir dos resultados dos levantamentos e de
critérios técnicos. A mudança, conforme Geruza Kretzer, não significa
apenas acrescentar linhas e veículos ao sistema existente. “A ampliação
proposta não representa simplesmente o aumento do número de linhas ou de
veículos”, diz. “O dimensionamento foi realizado a partir de critérios
técnicos relacionados à demanda de passageiros, cobertura territorial,
frequência necessária, tempo de viagem e capacidade operacional do
sistema”, completa.
Dados das pesquisas e da bilhetagem foram utilizados para estimar a
demanda atual e identificar necessidades não atendidas adequadamente
pela rede. A partir dessas informações, foram definidos novos
itinerários, calculados os intervalos entre as viagens e dimensionada a
frota necessária para atender aos períodos de maior movimento.
A previsão de até 17 linhas busca ampliar a cobertura, estabelecer
ligações mais diretas e diminuir a dependência de poucos eixos e pontos
de conexão. A quantidade de veículos, por sua vez, foi dimensionada
considerando a operação necessária para garantir os níveis de serviço
previstos na modelagem.
A proposta busca estruturar uma rede com diferentes funções
complementares. Entre as soluções estão as linhas circulares, concebidas
para aumentar as conexões entre bairros e reduzir a necessidade de
deslocamentos excessivamente centralizados. Os pontos de integração têm a
função de facilitar a transferência entre linhas e organizar a rede,
com a perspectiva de proporcionar conexões mais eficientes e melhorar as
condições de espera e de informação aos usuários.
Já as linhas expressas e semiexpressas são consideradas uma
possibilidade de evolução futura do sistema, associada à implantação de
infraestrutura adequada de integração. Na modelagem inicial, as linhas
foram dimensionadas como paradoras. “De forma geral, essas soluções
buscam reduzir tempos de deslocamento desnecessários, melhorar a
conectividade entre diferentes regiões e oferecer uma rede mais simples e
eficiente para o passageiro”, afirma Geruza.
Consulta pública recebe contribuições até 19 de setembro
A modelagem preliminar está em consulta pública pela Prefeitura de São José
até 19 de setembro. As manifestações da população poderão fornecer
elementos para eventuais ajustes na proposta. A participação dos
usuários complementa os levantamentos realizados. “A consulta pública é
uma etapa importante para complementar o processo de elaboração da
proposta e permitir que a população contribua a partir de sua
experiência cotidiana com o sistema”, afirma a pesquisadora.
Com a consulta pública, os dados técnicos levantados durante os
estudos passam a ser complementados pela experiência dos usuários antes
da definição dos encaminhamentos e de eventuais ajustes na modelagem
final do transporte coletivo de São José. Contribuições relacionadas a
itinerários, cobertura territorial, horários, pontos de parada e
possibilidades de integração podem ser consideradas no aperfeiçoamento
da modelagem.
A Prefeitura de São José será responsável pelo recebimento e pela
avaliação das manifestações, considerando a pertinência das
contribuições e seus impactos sobre a proposta. A análise poderá levar
em conta os estudos técnicos já realizados e aspectos operacionais, de
demanda e de viabilidade do sistema.
Com informações do Laboratório de Transportes e Logística – LabTrans
Fonte UFSC
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