quinta-feira, 25 de junho de 2026

Operação mira cúpula de empresa de ônibus e vereador de SP por lavagem de dinheiro para o PCC

 Operação cumpre mandados de prisão e busca contra o vereador da capital Senival Moura, do PT, controlador da Transunião, e dirigentes da empresa.





A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público. Os agentes cumprem cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.

Os três presos são o vereador da capital Senival Moura, do PT, o presidente da Transunião Transportes S.A., Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"): motorista e homem de confiança do vereador.

Abaixo, veja quem são os demais alvos dos mandados de prisão:

  • Lourival Monário ("Orelha"): atual presidente, acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos;
  • Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"): supervisor operacional que atuava como o interlocutor direto do PCC dentro da empresa, transmitindo ordens da facção.

Números da operação:

  • Bloqueio de 117 veículos e 3 embarcações;
  • Sequestro de 21 imóveis;
  • Bloqueio de R$ 194.457.851,90 em contas dos alvos.

Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.

Com a operação, a diretoria da Transunião foi afastada e a Prefeitura de São Paulo, comunicada para que sejam tomadas as medidas administrativas cabíveis. Por volta das 6h45, a SPTrans informou que a empresa opera normalmente.


Os mandados estão sendo cumpridos em endereços da cidade de São Paulo, da região metropolitana e do município de Extrema (MG). A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP.


De acordo com dados do SPUrbanuss, o sindicato das empresas de ônibus da capital, a Transunião opera 51 linhas de ônibus e transporta 389 mil passageiros por dia, atuando principalmente na Zona Leste da capital paulista.

Para cortar a influência dos investigados, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os atuais diretores e administradores da Transunião. Como o transporte de passageiros é um serviço essencial e não pode parar, a SPTrans foi notificada. Agora, o município precisa garantir que a frota continue rodando, seja decretando uma intervenção direta na empresa ou repassando as linhas da Transunião para outras viações da cidade.



Morte de ex-presidente e o início da investigação


O inquérito que desencadeou a ação desta quinta começou a partir da investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, antigo presidente da Transunião, executado em 2020.

Documentos manuscritos conhecidos como "salves" do PCC revelaram que Adauto e o vereador Senival de Moura – apontado como o verdadeiro controlador da empresa – haviam sido condenados à morte por supostos desvios de valores da organização criminosa.

"A facção teria descoberto, então, que Adauto desviava dinheiro da empresa para subsidiar uma espécie de 'caixa dois' para as eleições de 2020, privilegiando diretamente Senival em sua campanha à reeleição como vereador de São Paulo", diz trecho da manifestação do MP.

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