Convênio com o BNDES deverá aprofundar estudos de viabilidade; carteira de projetos pode elevar a rede de transporte de média e alta capacidade da RMR de 68 para 150 quilômetros
A mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife (RMR) poderá entrar em uma nova fase nos próximos anos. O Governo de Pernambuco está prestes a assinar um convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aprofundar os estudos de viabilidade de cinco grandes projetos de transporte público de média e alta capacidade.
As propostas fazem parte do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades. O levantamento identificou 187 projetos em 21 regiões metropolitanas brasileiras, com investimentos estimados em mais de R$ 400 bilhões. Para a RMR, a carteira analisada pode representar investimentos de até R$ 15 bilhões.
Cinco corredores em análise
Os cinco projetos selecionados para o convênio são voltados para importantes ligações metropolitanas e poderão ser implantados utilizando VLT ou BRT elétrico.
Entre os eixos estudados estão:
Avenida Norte;
ligação Boa Viagem–Olinda;
conexão Centro do Recife–São Lourenço da Mata;
corredor Igarassu–Joana Bezerra;
ligação Abreu e Lima–Cajueiro.
Cada projeto possui, nesta etapa, alternativas de implantação por VLT ou BRT elétrico. A definição do modal deverá ser feita posteriormente pelo Governo de Pernambuco, considerando estudos técnicos e a demanda prevista para cada corredor.
Rede poderá mais que dobrar de tamanho
Caso os projetos sejam efetivamente implantados, a rede de transporte público de média e alta capacidade da Região Metropolitana do Recife poderá passar dos atuais 68 quilômetros para aproximadamente 150 quilômetros.
Na prática, isso significaria uma expansão expressiva da oferta de transporte estruturado para diferentes áreas da região metropolitana.
O planejamento também prevê que os projetos possam entrar em fase de implantação a partir de 2027 ou 2028, dependendo dos estudos, das decisões do poder público e da estruturação dos investimentos.
BRT elétrico ou VLT?
Uma das principais decisões que Pernambuco terá pela frente será definir qual tecnologia será utilizada em cada corredor.
O BRT elétrico permite utilizar ônibus de alta capacidade em corredores exclusivos, com maior flexibilidade operacional e possibilidade de implantação utilizando infraestrutura viária existente.
Já o VLT utiliza trilhos e pode oferecer maior capacidade e uma operação ferroviária integrada ao espaço urbano.
Segundo o BNDES, a escolha deverá ser baseada em critérios técnicos, incluindo os estudos de origem e destino dos passageiros e uma projeção da demanda para as próximas décadas. A instituição destaca que as propostas apresentadas no ENMU são referências para avaliação e não decisões definitivas.
E o Metrô do Recife?
Além dos cinco projetos de novos corredores, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana também identificou uma sexta frente relacionada à requalificação do Metrô do Recife e dos trens urbanos a diesel.
Esse projeto, porém, não está incluído no novo convênio anunciado para os cinco corredores, pois o sistema metroferroviário já está envolvido em um processo de concessão à iniciativa privada.
O BNDES já participa da estruturação desse processo. O projeto prevê a transferência de ativos da CBTU e a concessão da gestão, operação e manutenção da rede metroferroviária da Região Metropolitana do Recife.
Investimento público e participação privada
A modelagem estudada prevê que os novos corredores possam ser concedidos à iniciativa privada por períodos de 30 a 35 anos.
A proposta apresentada pelo ENMU trabalha com uma divisão de aproximadamente 80% dos investimentos provenientes do poder público e 20% dos operadores privados.
Além disso, a sustentabilidade financeira do sistema será um dos pontos importantes dos estudos. A previsão é que a tarifa paga pelos passageiros não seja suficiente para cobrir todo o custo operacional, exigindo participação do poder público no financiamento do transporte.
Um novo desenho para a mobilidade do Recife
A expansão planejada representa uma oportunidade para reorganizar a mobilidade metropolitana do Recife, especialmente em uma região onde milhares de pessoas dependem diariamente do transporte coletivo para trabalhar, estudar e acessar serviços.
Mais do que escolher entre ônibus elétrico ou VLT, o desafio será criar uma rede integrada, com boa conexão entre os diferentes modos de transporte, estações acessíveis, frequência adequada e integração tarifária.
Para o Portal da Mobilidade, o ponto mais importante será garantir que os estudos considerem não apenas os números de passageiros atuais, mas também o crescimento urbano e as necessidades futuras da população.
A experiência de outras cidades brasileiras mostra que grandes projetos de mobilidade precisam ser planejados para décadas, e não apenas para resolver os problemas imediatos.
Portal da Mobilidade
Com cinco novos corredores em estudo e a reestruturação do sistema metroferroviário também em andamento, Pernambuco poderá viver uma das maiores transformações de sua história recente no transporte público.
Agora, o desafio será transformar os projetos apresentados nos estudos em obras, integração e transporte de qualidade para a população.
Portal da Mobilidade — acompanhando os projetos que podem transformar o transporte público brasileiro.
Fonte: Jornal do Commercio/JC Mobilidade e BNDES.
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