sexta-feira, 31 de outubro de 2025

SP autoriza desapropriação de quase 900 m² na Liberdade para obras da Linha 6-Laranja

Espaço declarado de utilidade pública pela gestão estadual fica na Rua Doutor Siqueira Campos. Linha vai ligar a Zona Norte ao Centro e contará com 15 estações.




O governo de São Paulo autorizou a desapropriação de uma área de quase 900 m² na Liberdade, região central da capital paulista, para a construção da Linha 6-Laranja do Metrô.

A medida foi publicada na edição desta sexta-feira (31) do Diário Oficial do estado.

O espaço, de 896,73m², ocupa uma parte da Rua Doutor Siqueira Campos. Os imóveis afetados vão do número 299 até o 331.

No entanto, segundo a publicação, a medida não impacta as propriedades dentro da área que sejam de órgãos públicos.

Também segundo o governo do estado, a Linha Universidade S/A, concessionária responsável pela obras na Linha 6-Laranja, está autorizada a pedir urgência na Justiça para desapropriar os terrenos.

As despesas ficarão a cargo do governo estadual.

A Linha-6 vai ligar a Zona Norte ao Centro da capital paulista e contará com 15 estações subterrâneas, com conexões com as linhas Azul, Amarela, Rubi e Diamante. A expectativa é atender cerca de 630 mil passageiros por dia.

Em nota, a concessionária informou que "as desapropriações fazem parte da construção da nova linha 6-Laranja do Metrô e todo processo é conduzido com responsabilidade, transparência e respeito à legislação".

"A futura estação trará melhorias importantes para a mobilidade urbana da cidade, além de estimular o desenvolvimento local com mais oportunidades de emprego, renda e valorização do entorno", diz.

Estado declara utilidade pública área da antiga Ford, em São Bernardo, para Linha 20

 Parte de terreno localizado no bairro Paulicéia é oficializado para receber pátio de Metrô que ligará Grande ABC à Zona Oeste de São Paulo




Parte de um terreno de 1 milhão de metros quadrados no bairro Paulicéia, em São Bernardo, recebeu a declaração de utilidade pública com a finalidade de abrigar um dos pátios de manobras e manutenção das composições da futura Linha 20-Rosa de Metrô, conforme publicação no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (31). A escolha da área, onde era instalada a antiga fábrica da Ford, foi noticiada pelo Diário em julho e confirmada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no mês seguinte, em visita ao jornal.

Segundo Resolução 75, assinada pelo secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Berrini, fica declarada a fins de desapropriação, por via amigável ou judicial, um espaço de 227,6 mil metros quadrados, situado no imóvel número  899 da Avenida do Taboão. O terreno selecionado terá as estruturas demolidas visando as obras e implantação do Pátio Ford da Linha 20-Rosa, a fim de receber parte dos 50 trens previstos para circularem entre Santo André e a Zona Oeste de São Paulo.

A definição por São Bernardo como um dos dois pátios previstos ao ramal metroviário ocorreu após Santo André esgotar suas opções com objetivo de contar com tal estrutura. A primeira alternativa foi a área da antiga Rhodia Química, onde será a sede do centro logístico do grupo australiano Goodman, que deve ser inaugurado em novembro. Em agosto, o Estado também escolheu outro espaço, próximo da Avenida dos Estados e da futura Estação ABC, para ser o pátio da Linha 10-Turquesa e da nova Linha 14-Ônix.

Uma vez selecionado parte da planta onde a Ford fabricou veículos por 52 anos, até 2019, a Secretaria de Parcerias em Investimentos deve avançar na declaração quanto ao uso de utilidade pública dos locais previstos a fim de receber as seis estações metroviárias previstas na região, metade em Santo André, a outra em São Bernardo. O projeto da Linha 20-Rosa inclui 24 paradas distribuídas em 31 quilômetros de traçado, partindo de Santo André até a Estação Santa Marina, com conexão à Linha 6-Laranja de Metrô.

Na outra ponta do ramal metroviário, o início das obras já está mais avançado, visto que a região, onde estarão fixados o segundo pátio e a Estação Santa Marina, já obteve o DUP (Decreto de Utilidade Pública), publicado pela Secretaria de de Parcerias em Investimentos em 20 de março. O documento declara para fins de desapropriação imóveis situados entre a Avenida Santa Marina, na região da Lapa, até a Avenida Abraão de Morais, Zona Sul da Capital.

Apesar disso, Tarcísio reforçou diversas vezes a intenção de iniciar pelo Grande ABC os trabalhos para construção da Linha 20-Rosa. “A determinação nossa é começar a obra pela região”, disse o governador em visita ao Diário no fim de agosto. O republicano também assegurou ser plenamente possível conciliar a designação de parte da planta da antiga Ford com a instalação de um centro logístico da empresa Prologis, com sede em São Francisco, na Califórnia, que adquiriu a área por R$ 850 milhões.


✔️ Fonte Diário do Grande ABC 



👍 Curta as redes sociais da KLEIN STORE e veja como adquirir os produtos do Portal da Mobilidade 

✔️ Página no Facebook ⤵️ 

https://www.facebook.com/profile.php?id=100063713251701&mibextid=ZbWKwL


✔️ Grupo no WhatsApp ⤵️ 

https://chat.whatsapp.com/Jc5mlryseajJdr88XvDOC8


👍 Curta participe divulgue Portal da Mobilidade 


Facebook 

https://www.facebook.com/Portal.da.Mobilidade?mibextid=ZbWKwL


YouTube 

https://youtube.com/@portaldamobilidade9503?si=HVgJHUywstTzt4KG




Nosso canal no WhatsApp 

https://whatsapp.com/channel/0029VaIb0IGFMqrU8tT5mE2f


China prepara embarque do primeiro dos novos trens do metrô de BH

 Nova composição deixará Qingdao na noite desta quinta-feira (30), pelo horário brasileiro, e deve chegar a MG em dezembro


Nova composição receberá as cores laranja e azul, características da concessionária que opera o modal. Foto: Metrô BH/Reprodução



O primeiro exemplar do novo modelo de trem urbano a circular no metrô de Belo Horizonte vai deixar a cidade de Qingdao, na China, rumo ao Brasil na noite desta quinta-feira (30), no horário de Brasília (DF). Pelo que O Fator apurou, a nova composição deverá chegar ao país em dezembro.

A ideia é que o novo modelo comece a percorrer os trilhos da Região Metropolitana no início do ano que vem. O cronograma da Changchun Railway Vehicles, responsável pela fabricação dos trens, prevê a entrega de 10 composições até o fim de 2026.

O embarque do novo trem, inclusive, será acompanhado pelo vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que viajou até a nação asiática para uma série de agendas.

O plano da Metrô BH, concessionária do modal, é utilizar os novos trens na linha já existente, entre a Vilarinho, em Venda Nova, e o Eldorado, em Contagem, bem como lançar mão dos vagões no segundo itinerário, ainda em construção, entre o Barreiro e o Nova Suíça.

Os novos vagões terão assentos maiores que os atuais, além de telas de LED para informar o nome da estação mais próxima, a parada seguinte e o ponto final. Atualmente, um painel estático, com um mini-mapa, ajuda os passageiros no georreferenciamento.

A frota adquirida na China tem, ao todo, 24 trens. O lote custou cerca de R$ 700 milhões. 

Atualmente, há 35 trens em circulação. Vinte e cinco deles foram fabricados nos anos de 1990. Outros 10 começaram a operar em 2015. O plano da concessionária é substituir as composições da década de 1990 pelos carros ferroviários chineses.




✔️ O Fator 



👍 Curta as redes sociais da KLEIN STORE e veja como adquirir os produtos do Portal da Mobilidade 

✔️ Página no Facebook ⤵️ 

https://www.facebook.com/profile.php?id=100063713251701&mibextid=ZbWKwL


✔️ Grupo no WhatsApp ⤵️ 

https://chat.whatsapp.com/Jc5mlryseajJdr88XvDOC8


👍 Curta participe divulgue Portal da Mobilidade 


Facebook 

https://www.facebook.com/Portal.da.Mobilidade?mibextid=ZbWKwL


YouTube 

https://youtube.com/@portaldamobilidade9503?si=HVgJHUywstTzt4KG




Nosso canal no WhatsApp 

https://whatsapp.com/channel/0029VaIb0IGFMqrU8tT5mE2f


Nova linha 695Y-51 Term. Parelheiros - Est. Varginha

 

           Foto Luciano Ferreira 


A partir de segunda-feira, 03/11/2025, irá operar a nova linha 695Y-51 Term. Parelheiros - Est. Varginha.


Ponto inicial:
 Terminal Parelheiros (mesmo ponto da linha 695Y-10).

Horário de atendimento: todos os dias, das 3h35 à 0h.


Itinerário:

Sentido único: Term. Parelheiros, Ac. Acesso, Rua São Sebastião da Barra, Rua Euzébio Coghi, Estr. Ecoturística de Parelheiros, Av. Sen. Teotônio Vilela, Rua Arcelina Teixeira da Silva, Av. Paulo Guilguer Reimberg, Ac. Acesso Estação Varginha, Av. Nathalia Pereira da Silva, retorno (Rua Uva Natal), Av. Nathália Pereira da Silva, acesso, Av. Paulo Guilguer Reimberg, Acesso, Av. Sen. Teotônio Vilela, Estr. Ecoturística de Parelheiros, Estr. da Colônia, Terminal Parelheiros.


✔️ Fonte SPTrans 



👍 Curta as redes sociais da KLEIN STORE e veja como adquirir os produtos do Portal da Mobilidade 

✔️ Página no Facebook ⤵️ 

https://www.facebook.com/profile.php?id=100063713251701&mibextid=ZbWKwL


✔️ Grupo no WhatsApp ⤵️ 

https://chat.whatsapp.com/Jc5mlryseajJdr88XvDOC8


👍 Curta participe divulgue Portal da Mobilidade 


Facebook 

https://www.facebook.com/Portal.da.Mobilidade?mibextid=ZbWKwL


YouTube 

https://youtube.com/@portaldamobilidade9503?si=HVgJHUywstTzt4KG




Nosso canal no WhatsApp 

https://whatsapp.com/channel/0029VaIb0IGFMqrU8tT5mE2f


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Energia sobre rodas: BESS móvel leva infraestrutura de recarga a qualquer lugar




_Unidade móvel de armazenamento de energia amplia alcance da mobilidade elétrica, oferecendo recarga rápida em rodovias, operações logísticas, eventos e regiões sem rede elétrica disponível_


O Brasil vive um crescimento acelerado da mobilidade elétrica, impulsionado pela expansão da frota de veículos eletrificados e pela demanda por infraestrutura de recarga. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram vendidos 86.849 veículos leves eletrificados no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 9,5% em relação ao mesmo período de 2024. Esses modelos já representam 8% do mercado total de veículos leves no país. Em paralelo, a infraestrutura de recarga segue em expansão, com cerca de 15 mil pontos espalhados pelo território nacional, cobrindo aproximadamente 25% dos municípios brasileiros.


Apesar dos avanços, a rede de recarga ainda apresenta lacunas em rodovias e regiões remotas, criando insegurança para motoristas que necessitam de deslocamentos de longa distância ou que dependem de recargas mais ágeis, como taxistas, motoristas de aplicativo e operadores logísticos. Somente 16% das estações disponíveis atualmente oferecem carregamento DC (de corrente contínua) - que possibilitam recargas muito mais rápidas em comparação aos carregadores AC (corrente alternada). 


Nesse cenário, ganham espaço os sistemas móveis de armazenamento de energia (Mobile BESS). Mais do que um simples “socorro elétrico”, eles representam uma infraestrutura flexível e escalável, capaz de levar recarga rápida a locais sem rede elétrica, apoiar frotas e operações logísticas em centros urbanos ou rodovias, suprir demandas temporárias em eventos e obras, além de atuar em emergências energéticas de forma silenciosa e com zero emissão.


Equipados com baterias de alta capacidade e carregadores rápidos integrados, os BESS móveis podem ser acoplados a caminhões elétricos e operar como verdadeiras usinas de energia limpa, prontas para atender veículos, equipamentos e operações críticas. “Mais do que socorrer um motorista em apuros, o BESS móvel é sobre levar infraestrutura onde ela não existe. Ele pode atender rodovias, apoiar operadores logísticos, viabilizar eventos de grande porte e até reforçar sistemas críticos em hospitais e aeroportos. Trata-se de um novo patamar de flexibilidade energética, alinhado à transição para uma matriz mais limpa”, explica Robert Danelhe, Head de Produtos & Novos Negócios da Nansen.


A aplicação da tecnologia, no entanto, não se restringe à mobilidade elétrica. Sistemas BESS já estão presentes em hospitais, aeroportos, data centers e indústrias, garantindo continuidade operacional em situações de falha da rede elétrica. A integração entre a infraestrutura fixa — como os corredores de alta potência (HPC) — e a infraestrutura móvel será fundamental para ampliar a confiança e a conveniência no uso dos veículos eletrificados no Brasil.


Com as vendas de eletrificados em forte expansão e projeções que apontam para mais de 4 milhões de veículos em circulação até 2034, o chamado “socorro elétrico” surge como complemento estratégico à rede de recarga existente. “Até que os corredores HPC estejam plenamente instalados nas principais rodovias, esse serviço ganha relevância ao oferecer segurança, conveniência e confiança para quem já faz parte da transição para a mobilidade elétrica”, reforça Danelhe.


*Experiências pioneiras no Brasil*


Soluções de armazenamento de energia em formato móvel já começam a ser testadas no transporte coletivo brasileiro. Em São Paulo, a empresa Gato Preto, que atua em diferentes regiões da capital, está em processo de substituição de parte da frota a diesel por ônibus 100% elétricos. Para apoiar a operação, cada garagem da companhia está sendo equipada com uma unidade do BESS Móvel, capaz de fornecer até 50 kWh de carga. O recurso permite que veículos em circulação recebam energia suficiente para retornar à base, evitando a necessidade de remoção por guincho e reduzindo impactos no trânsito.


Em Goiânia, a tecnologia também foi incorporada ao sistema de transporte público. O BRT da capital recebeu o primeiro BESS Móvel com carregador integrado do país, com capacidade de 50 kWh e potência de recarga de 60 kW. A solução funciona como alternativa emergencial para ônibus elétricos que ficam sem bateria durante a operação, garantindo a continuidade dos serviços.


Nos dois casos, a Nansen lança oficialmente essa inovação pioneira para o mercado. O BESS Móvel passa a integrar o portfólio da empresa e mostra como a infraestrutura de recarga pode ir além das estações fixas, oferecendo maior flexibilidade às operadoras e contribuindo para a transição às frotas eletrificadas no transporte urbano.


*Sobre a Nansen* - A Nansen é referência em soluções de tecnologia e inovação para energia, oferecendo equipamentos e sistemas que apoiam a transição energética no Brasil. Com sede em Contagem (MG) e uma unidade fabril em Manaus (AM), tem 95 anos de tradição e liderança em tecnologia para medição de energia elétrica. A empresa atua de forma inovadora em diversas frentes, incluindo infraestrutura para recarga de veículos elétricos, plataformas de gestão, soluções Smart Grid, transformadores, sensores para iluminação pública, Switchgear e Ring Main Unit (RMU), energia solar e baterias (BESS).



👍 Curta as redes sociais da KLEIN STORE e veja como adquirir os produtos do Portal da Mobilidade 

✔️ Página no Facebook ⤵️ 

https://www.facebook.com/profile.php?id=100063713251701&mibextid=ZbWKwL


✔️ Grupo no WhatsApp ⤵️ 

https://chat.whatsapp.com/Jc5mlryseajJdr88XvDOC8


👍 Curta participe divulgue Portal da Mobilidade 


Facebook 

https://www.facebook.com/Portal.da.Mobilidade?mibextid=ZbWKwL


YouTube 

https://youtube.com/@portaldamobilidade9503?si=HVgJHUywstTzt4KG




Nosso canal no WhatsApp 

https://whatsapp.com/channel/0029VaIb0IGFMqrU8tT5mE2f


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Terminal Rodoviário da Luz: projeto esquecido de SP tinha arquitetura singular

 Com traços marcantes, a rodoviária incorporava tendências internacionais da arquitetura e desempenhava um papel essencial na mobilidade urbana antigamente


O Terminal Rodoviário da Luz, em São Paulo, teve um período curto de funcionamento, mas tinha uma grande circulação e importância no transporte da época Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons


Terminal Rodoviário da Luz foi inaugurado em 1961, em um momento em que São Paulo buscava organizar e centralizar o transporte. Localizado na Praça Júlio Prestes, próximo à estação homônima e à estação da Luz, no centro da cidade, o terminal integrava trens e ônibus, conectando a capital ao interior. Revestido de pastilhas, tinha um visual único, porém, com o passar do tempo e sua prematura demolição, o projeto é pouco lembrado na história da arquitetura paulistana e brasileira.

A infraestrutura era ampla. A imprensa da época noticiava que o terminal era capaz de atender 10 mil passageiros por dia e de abrigar 2.800 veículos. Sua inauguração aconteceu durante o aniversário da capital paulista de 1961, durante a gestão do prefeito Adhemar de Barros.

Porém, a vida da rodoviária foi extremamente curta. "Começou a ser desativada em 1977, com a abertura do Terminal Jabaquara e esse processo finalizou em 1982, com a abertura do Terminal Tietê", relata Marcos José Carrilho, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).


A infraestrutura do terminal poderia comportar 10 mil passageiros por dia e abrigar 2.800 veículos. Fotografia de 1981 — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons



De quem é o projeto do terminal?

A autoria do Terminal Rodoviário da Luz é envolvida por uma história curiosa. Em entrevistas, o arquiteto Carlos Lemos – sócio de Oscar Niemeyer em São Paulo e coautor do edifício Copan –, a quem normalmente o projeto é atribuído, afirmava que o desenho, na verdade, foi proposto pelo seu amigo Carlos Caldeira Filho, empresário e político.

A ideia teria sido ocasional. Diante de uma irritação após embarcar em um ônibus com direção a Santos em uma calçada de rua nos anos 1950, Carlos pensou em criar um terminal. E o empreendimento privado seria uma oportunidade econômica para os seus negócios.


Havia um fluxo intenso de pessoas na rodoviária, tanto pelo sistema de transportes quanto pelos serviços e comércios que surgiram posteriormente — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons



"Teria sido o próprio Caldeira, após pesquisa sistemática de terminais em outras cidades e países, o autor do anteprojeto, transformado em projeto técnico pelo engenheiro Raul Eckman Simões", conta Abilio Guerra, também professor da FAU-UPM.

O empresário também incluiu o embelezamento do local, com a previsão de uma fonte e uma cúpula, a qual foi encomendada ao arquiteto Carlos Lemos.

Pastilhas de acrílico, tecnologia e arquitetura diferenciada

O Terminal Rodoviário da Luz era um edifício funcionalista, de estrutura mista de concreto armado na sua base e metal na sua cobertura.

"Havia uma distância grande entre as colunas, o suficiente para abrigar o fluxo de ônibus e do grande público, permitindo a presença de mezaninos e balcões e articulando muito bem áreas livres não bilhetadas e áreas de embarque bilhetadas", destaca Abilio.


As áreas internas do terminal eram amplas e com vãos livres adequados a circulação demandada pela rodoviária — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons


A estética destoava do padrão da época, caracterizado pela sua cúpula, a fachada de acrílico colorido e suas estruturas metálicas. "Esses elementos conferiam ao terminal uma aparência high-tech e pop, consoante à arquitetura internacional do período", afirma Diogo Augusto Mondini Pereira, arquiteto e urbanista, e pesquisador da FAU da Universidade de São Paulo (USP).

Peças abauladas de acrílico em diversas cores foram usadas no fechamento da cúpula e nos beirais periféricos visíveis. Carlos Lemos destacava que a dificuldade foi compatibilizar as geometrias da base circular da cúpula e da estrutura espacial de modulação quadrada.


A estrutura arquitetônica do terminal misturava elementos metálicos, vidros e pastilhas, garantindo um design diferenciado e a entrada de luz natural — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons



Na cúpula, o material permitia a entrada de luz natural de modo filtrado no interior da construção. Já nos beirais, além da filtragem, traziam identidade urbana ao terminal. "A estrutura espacial, novidade na época, era extremamente adequada à versatilidade e liberdade espacial exigida pelo programa de uso, e antecipava em uma década a estrutura espacial do Pavilhão do Anhembi", complementa Abilio.


Na imagem, um registro de 1981 da bilheteria da antiga estação rodoviária de São Paulo na região da Luz, a qual contava com mezanino e áreas de circulação — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons


O terminal ficou marcado também pela incorporação de tecnologias inéditas. A televisão em cores, por exemplo, era uma alternativa de distração para quem precisava esperar por horas pelo embarque. Em dias de jogo de futebol, as áreas não bilhetadas recebiam grandes aglomerações populares.

"Eu assisti a dois jogos da Copa do Mundo de 1974 e lembro que o espaço virou um imenso formigueiro humano, com pessoas perdendo suas viagens por esquecimento ou excesso de empolgação", relembra Marcos com nostalgia.

O contexto urbano da Luz e a conexão com o terminal

A instalação do terminal, à época, foi pensada para facilitar a integração entre a capital e o interior, além de favorecer a mobilidade urbana. No entanto, a escolha do local gerou forte controvérsia. A grande imprensa e diversos especialistas apontaram que o intenso fluxo de passageiros provocado pela rodoviária sobrecarregou uma área que já apresentava limitações estruturais para comportar tamanha demanda.

Por isso, o projeto enfrentou críticas recorrentes quanto à sua localização. A presença do terminal provocou um impacto significativo no centro paulistano e sua construção foi alvo de debates acalorados. “A rodoviária da Luz era dificilmente observada de uma maneira elogiosa, enquanto outras rodoviárias, como a da cidade de Jaú, no interior de São Paulo, eram bem recebidas”, destaca Diogo.


O Terminal Rodoviário da Luz ficava localizado ao lado da Praça Júlio Prestes e gerava um intenso tráfego na região — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons; Domínio público | Montagem: Casa e Jardim


A principal dificuldade da ocupação da região da Luz, na visão de Marcos, era o escoamento do fluxo que ali começava circular. "O terminal deixava de considerar a diretriz do Plano Prestes Maia que previa a sua localização junto à Ponte das Bandeiras. Embora pudesse contar a seu favor a rede viária do bairro, a região não foi projetada para suportar a concentração de tráfego que ocorreria", explica o professor.

Em consequência disso, foram retomados estudos para alargamento de grandes avenidas, cujas obras se estenderam por um bom tempo. Para lidar com a questão de forma mais imediata, em vez de integrada, a Praça Júlio Prestes foi incorporada a esse grande anel viário que se estabelecia e as faixas da Avenida Duque de Caxias foram ampliadas


O terminal distinguia-se na paisagem do centro da cidade pela sua arquitetura e cores diferenciadas — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons



Apesar dos desafios, era inegável que o terminal proporcionou novas atividades e intensificou a circulação de pessoas. "Com as atividades de comércio e serviços, aparecem novas demandas de recepção e acomodação de contingentes de visitantes, situação que contribuiu fortemente para alterar a composição dos frequentadores do bairro e transformar o uso das edificações em pequenos estabelecimentos comerciais, hotéis, pensões e sublocações de imóveis", diz Marcos.

Desativação e novos usos do Terminal Rodoviário da Luz

Depois da desativação de 1982, o antigo Terminal Rodoviário da Luz foi convertido em shopping popular, o Fashion Center Luz. Inaugurada em 1988, a área comercial funcionou até 2007, mas teve pouca adesão na região e começou a se degradar com o tempo.

Naquele mesmo ano, o edifício que abrigava o terminal foi desapropriado pelo governo do Estado. A proposta era abrigar o Teatro da Dança de São Paulo, depois rebatizado para Complexo Cultural da Luz, um projeto contratado ao escritório suíço Herzog & De Meuron.


A área ocupada pelo antigo terminal tinha planos de se tornar um centro cultural, o que nunca se concretizou. Na foto, o salão de espera da antiga estação rodoviária de São Paulo em 1981 — Foto: Acervo da Biblioteca da FAU-USP/Creative Commons



"A ideia geral era boa, pois previa a requalificação da região com a implantação de mais um equipamento cultural de grande relevância na frente da Sala São Paulo", comenta Abilio.
No entanto, a proposta foi amplamente criticada por ter sido encomendada a um escritório internacional sem a realização de concurso ou licitação, além do alto custo envolvido e das dúvidas quanto aos benefícios. Com isso, o projeto não foi levado adiante, e a administração estadual decidiu destinar a área à construção de um conjunto habitacional.

Diante de um relativo esquecimento, recuperar essa história pode ser uma das formas de retomar o olhar para a região central de São Paulo. "O terminal tinha essa ideia de centralidade, que era muito interessante, com restaurantes, lojas e comércio, criando um vínculo com a cidade que, por exemplo, os terminais novos, como Jabaquara e Tietê, não têm", ressalta Diogo.

"Os equipamentos públicos ali existentes ajudam a imaginar a transformação desse território em polo cultural e ambiental. A movimentação do mercado imobiliário em prol dos setores mais ricos, no entanto, que pode implicar em erradicação das camadas mais pobres e vulneráveis da região, permanece como entrave", finaliza Abilio.


✔️ Fonte  Casa e Jardim 





Obras da Estação Água Branca, da Linha 6-Laranja, atingem 90% de execução

  Estação será uma das primeiras a entrar em operação em 2026 e integra o trecho inicial que ligará Brasilândia a Perdizes A nova linha, com...