VLPs 100% elétricos e sustentáveis estão em operação piloto na cidade transportando passageiros, sem cobrança de passagem, entre as regiões sul e central - Foto: Adenir Britto/PMSJC
Em um mês de Operação Piloto, os VLPs (Veículo Leve sobre Pneus) 100% elétricos e não poluentes realizaram 200 viagens, rodaram 3.805 quilômetros e transportaram 3.412 usuários do transporte público em São José dos Campos. A operação teve início no dia 28 de dezembro de 2021.
As viagens foram realizadas nos sentidos região sul/Terminal Central e sentido contrário, em um percurso de cerca de 11 quilômetros por viagem, entre 10h e 16h. Não houve cobrança de passagem.
A fase experimental segue até o início da operação do novo sistema de transporte coletivo com veículos elétricos, com a entrega da primeira fase da Linha Verde, corredor sustentável que irá ligar a região sul ao terminal central.
A operação está sendo monitorada por técnicos da Secretaria de Mobilidade Urbana e comprovou a eficiência energética dos veículos, que trafegam em média 250 quilômetros com carga cheia. O carregamento completo de cada veículo dura cerca de três horas.
Aprovação
E a população tem aprovado a operação e já pede pela ampliação de viagens.
Fã do transporte coletivo, o operador de loja Juliano Aparecido Alves, 39 anos, morador da Chácara das Oliveiras, tem circulado de VLP sempre que pode. A rota de circulação dos veículos não faz parte do seu dia-a-dia, mas o interesse pelo veículo 100% elétrico, o leva a fazer diversas viagens.
Juliano foi um dos primeiros passageiros da operação piloto e destacou os benefícios do novo meio de transporte. “É diferenciado, rápido e com ar condicionado, entrada de cabo USB para celular e portas do lado esquerdo. Um modelo moderno que a nossa cidade merece”, disse.
Ele acredita que o futuro do transporte público seja por meio dos VLPs ligando os bairros de São José e também cidades vizinhas como Jacareí e Caçapava.
A paixão de Juliano pelo transporte público vai além das viagens que faz pela cidade, ele também coleciona mais de 40 miniaturas de ônibus de diversas épocas do transporte público de São José.
“Eu me lembro que desde bem pequeno vi um ônibus da Capital do Vale na década de 80 e desenhei na parede de casa”. Já o interesse pela coleção de miniaturas de ônibus surgiu na juventude. Sua meta agora, é incluir em seu acervo pessoal, a miniatura de um VLP.
A circulação do VLP ligando a região sul ao centro agradou em cheio a recepcionista Isabel Rodrigues, 33 anos, moradora do Jardim Morumbi, que já realizou sete viagens de VLP. Ela se adaptou ao horário da operação para ir diariamente para o trabalho em um veículo sustentável. “É bem mais espaçoso, silencioso e confortável. Tomara que aumente o número de viagens porque só dá para ir para o trabalho. Eu gostaria de voltar nele também”, disse.
Trajeto
Para a operação piloto, foi elaborado um trajeto especial ligando a região sul, a mais populosa da cidade, até o terminal Rodoviário de São José. Nas viagens experimentais, os VLPs trafegam pelos principais corredores das regiões central e sul, como as avenidas São José e Madre Thereza, Dr. Adhemar de Barros e Heitor Villa Lobos, pontos de integração como a Praça do Rotary, além das avenidas Florestan Fernandes (Anel Viário), Dr. João Batista de Souza Soares e Estrada Velha, cortando as ruas Bacabal e Candeias, passando pelo Condomínio Eldorado e com ponto final na rua Manuel Vieira, em frente a faculdade Anhanguera.
No total, São José adquiriu doze veículos articulados 100% elétricos, que serão integrados ao transporte público.
Uma área de, aproximadamente, 210 mil metros quadrados nos arredores do Aeroporto de Brasília — região sob responsabilidade da concessionária Inframerica — recebeu investimentos de R$ 700 milhões para ser transformada em um complexo de atividades. A empreitada faz parte de um projeto de expansão de negócios que prevê cinco centros (de compras, logístico, de entretenimento, cultural e de eventos), além de um hotel. As parcerias com empresas para construção do shopping, do espaço de distribuição de cargas e de três parques temáticos de médio porte estão firmadas, e as obras devem terminar até junho de 2024.
Localização favorável Por questões contratuais, as companhias por trás dos parques temáticos não tiveram os nomes divulgados ainda. Mas o shopping e a central de logística serão administrados pelo Grupo Partage e pela Log CP, respectivamente. “Temos uma grande área em frente ao terminal de Brasília. Quando escolhemos a localização física desses terrenos e empreendimentos, a ideia era implementar vários produtos imobiliários que atendessem aos brasilienses e aos passageiros”, afirmou à coluna o diretor comercial da Inframerica, Ian Joels.
Aval para ampliação A etapa mais recente do processo de ampliação do aeroporto ocorreu em setembro de 2020, com a inauguração da Praça Pick-Up, onde passageiros podem se alimentar, alugar carros ou aguardar transportes coletivos e por aplicativo. A próxima fase da expansão, sob responsabilidade de empresas privadas, recebeu as autorizações necessárias dos órgãos públicos e começará neste semestre. “O apoio do Ministério de Infraestrutura, da Agência Nacional da Aviação Civil e do Governo do Distrito Federal, assim como de nossos parceiros comerciais, que acreditaram no projeto, foram fundamentais”, resumiu Jorge Arruda, presidente da Inframerica, em nota divulgada pela concessionária.
Mudanças em portaria Em fevereiro de 2012, a Inframerica assumiu a gestão do terminal aéreo, com um contrato de concessão de 25 anos. Mesmo assim, as atividades no complexo poderão continuar até 2067, devido à atualização de uma portaria da Secretaria Nacional de Aviação Civil. O megaempreendimento ficará em área adjacente ao aeroporto, para permitir que passageiros e pessoas de fora visitem as atrações. Agora, a concessionária busca investidores para dar andamento aos projetos do hotel, do centro de eventos e do espaço cultural — com previsão de receber 12 mil obras artísticas.
Variação no preço dos alimentos
Entre 17 capitais brasileiras pesquisadas, Brasília teve a maior variação dos preços de itens da cesta básica em janeiro, na comparação com dezembro. O grupo de alimentos considerados subiu 6,36% no período, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em relação ao mesmo período de 2020, o aumento foi de 7,62%. Apesar disso, o valor do conjunto de itens não ficou entre os mais altos. Nesse quesito, a cidade ficou em sexto lugar, com custo registrado de R$ 661,09.
Quase 60% comprometidos… Um dos diferenciais do levantamento do Dieese é avaliar o preço da cesta em relação ao salário-mínimo líquido — após desconto de 7,5% referentes à Previdência Social — e à quantidade de horas de trabalho necessárias para comprar os itens. Em Brasília, no mês passado, o valor do grupo de alimentos representou 59% dessa remuneração e demandou 120 horas de expediente.
…E quase cinco vezes o salário Outra estimativa, calculada com base na cesta mais cara do mês — nesse caso, a de São Paulo —, demonstra que o salário-mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas deveria ser 4,95 vezes o valor do atual (R$ 1.212): R$ 5.997,14, para permitir o suprimento de despesas básicas da população brasileira.
Por dentro dos cogumelos do cerrado A temporada de chuvas abriu uma oportunidade especial para interessados em explorar um mundo de miudezas que abre um universo de descobertas. Durante todos os sábados e domingos de fevereiro e março, o biólogo Fabio Vieira promoverá uma caça a cogumelos no Jardim Botânico de Brasília. Intitulada Trilha Fungi, a atividade terá início sempre às 10h, no auditório do local, com apresentação de detalhes sobre a diversidade dos macrofungos do cerrado. Na sequência, os participantes seguem para um passeio de observação em campo, até as 13h. Os ingressos custam R$ 100 por dia e por pessoa. Informações e inscrições: 61 984-437-992.
Carreta Agro Caixa atende na Ceasa Até o próximo dia 11, a Caixa Econômica ficará com a unidade móvel Carreta Agro na Ceasa, das 11h às 16h. Produtores locais podem buscar atendimento especializado, participar de reuniões técnicas e receber assessoramento para financiamentos. Há opções de crédito para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com taxas de juros a partir de 3% ao ano, bem como para custeio (até R$ 1,5 milhão) e investimento (até R$ 430 mil) pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).
As empresas de ônibus não vão mais contratar cobradores na capital paulista. O fim da contratação de cobradores de ônibus foi acertado entre empresas e prefeitura de São Paulo em dezembro de 2021.
Em janeiro deste ano, a SPTrans enviou às empresas um ofício com a informação de que deixará de pagar 2,5% da remuneração aos operadores do sistema referente aos cobradores a partir de abril.
Na prática, significa que, se as empresas contratarem alguém para essa função, terão que arcar sozinhas com os custos, o que não deve acontecer.
O sindicato que reúne essas empresas confirmou que o plano é encerrar a atividade aos poucos, sem que haja demissão em massa, como explica o presidente do SPUrbanuss, Francisco Cristovão.
“A rotatividade nessa função é da ordem de 3% ao mês. Temos um plano de 40 meses é muito tempo para absorver isso naturalmente sem que gere desemprego”, disse Francisco.
Em nota, a prefeitura confirma que a determinação é transferir os cobradores para outras funções, como motorista e fiscal.
Segundo a SPTrans, apenas 5% dos passageiros ainda pagam a tarifa em dinheiro, o que sustenta a decisão.
O que a reportagem apurou é que, aos poucos, os cobradores serão retirados dos ônibus que têm saída de passageiro à direita, uma média de 2.700 veículos.
Aqueles maiores, que têm saída à esquerda porque operam também no corredor exclusivo, seguirão com esse trabalhador.
Em janeiro, a reportagem mostrou que foi necessário aumentar as contratações de motoristas e cobradores em 20% devido aos afastamentos causados pela covid-19.
Agora, o presidente da SPUrbanuss lembra que os ônibus do sistema local já operam sem cobrador desde 2014, sem prejuízo aos passageiros.
“O cobrador era mantido aqui em São Paulo muito mais por uma questão social do que por uma questão de necessidade. Vamos ter que conviver ainda por um bom tempo. Nós vamos tirando daquelas linhas, por exemplo, sistema noturno, daqui a pouco as linhas que tenham uma frequência muito alta. Caso o passageiro não pegou o ônibus que está sem cobrador pega o do trás que tem. A própria população já está acostumada”, disse Francisco.
O sindicato de motoristas e cobradores diz que não foi procurado para discutir a determinação da prefeitura de São Paulo.
Em nota, a entidade diz que vai acompanhar a situação e pode orientar os motoristas a não circular sem cobradores nos veículos.
Aeroporto Internacional Jucelino Kubitschek, em Brasília (DF). Imagem: Inframerica
A concessionária Inframerica iniciou a segunda etapa de expansão do Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek, que passou para a administração privada há exatamente dez anos. O projeto prevê que o complexo aeroportuário receba agora um shopping center, um centro de logística e uma área com parques temáticos para passageiros.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (7) pelos jornais Valor Econômico e Correio Braziliense. Segundo apurado pelos jornalistas Daniel Rittner e Jéssica Eufrásio, respectivamente, os investimentos previstos são na ordem de R$700 milhões e as obras devem estar prontas entre o fim de 2023 e o primeiro semestre de 2024.
Dois dos projetos já estão com parceiros definidos. O Grupo Partage será responsável pela construção do centro de compras. A empresa planeja, comercializa e administra e shoppings center pelo Brasil desde 1997. A estrutura de 60 mil metros quadrados terá 130 lojas, 11 restaurantes, 11 redes de fast-food e sete salas de cinema.
“Quando a pandemia chegou, isso já estava idealizado, porque fizemos pesquisas qualitativas com os brasilienses sobre o que é um shopping ideal, e o foco (das respostas) foi essa parte do lazer e da experiência. É uma tendência mundial oferecer um espaço de varejo com mais qualidade”, afirmou Ian Joels, diretor comercial da Inframerica, para o Correio Braziliense.
Logística
Já a Log CP conduz a construção do novo ponto de distribuição de mercadorias. A companhia tem expertise na construção e locação de armazéns e condomínios logísticos de grande porte. O complexo terá 66 mil m² de galpões para locação, em um área toda de 120 mil m². O espaço contará com estacionamento, vestiário, restaurante, serviço de manutenção e de vigilância 24 horas.
O terceiro empreendimento prevê a construção de três parques de diversão de médio porte, com opções temáticas e por faixa etária. Os nomes dos parceiros que assumirão esse negócio estão sob sigilo, mas o contrato com os investidores está fechado.
A Inframerica assumiu a administração do Aeroporto de Brasília em 2012, após a primeira rodada de concessões aeroportuárias do governo federal. À época, o Consórcio deu início às primeiras grandes obras de reforma e ampliação do Aeroporto. Foram iniciadas as construções dos píeres Norte e Sul do Terminal, garantindo um aumento no número de portões de embarque e uma expansão da área útil.
Em 2021, o aeroporto movimentou 10, 5 milhões de passageiros, o que o coloca como 3º mais movimentado do Brasil. O número segue abaixo dos registrados no pré-pandemia, quando mais de 16,5 milhões de viajantes passaram por ali ao longo de 2019.
Versão brasileira ocorre no dia 3 de abril, com percurso desafiador nas montanhas e mais de R$ 10 milhões em impactos econômicos na economia local; contrato garante 5 anos de evento no país
Ciclistas da elite em uma das etapas do Giro d’Itália, competição que tem 21 dias e premia com a camisa rosa – Maglia Rosa - o grande vencedor da classificação geralDivulgação/Giro d'Itália Ride Like a Pro
O Brasil será palco, em abril deste ano, de uma réplica de um dos maiores eventos do ciclismo de estrada do mundo: o Giro d’Itália. A tradicional competição tem 21 dias, reúne os melhores em atividade e ocorre obrigatoriamente na Itália -, mas o Brasil também terá uma réplica da etapa do Giro reproduzida em solo brasileiro, numa prova de um único dia.
É o chamado Giro d’Itália Ride Like a Pro, modalidade que reúne atletas amadores em busca de experiências similares àquelas vivenciadas pelos atletas da elite do ciclismo mundial.
Por aqui, o evento será realizado em Campos do Jordão, em São Paulo, cidade que possui montanhas, paisagens e características de percurso semelhantes às encontradas na Itália.
Além do Giro, o Tour de France, outro grande evento ciclístico mundial, também possui produto equivalente, o L’étape do Tour, com provas consolidadas e realizadas em diversas cidades do mundo, atraindo milhares de fãs.
Com relação ao Giro d’Itália, o Brasil largou na frente e é o segundo país a ter uma etapa réplica da competição. Antes, só mesmo Xangai, na China, em 2019 e 2020. O sócio-diretor do projeto no país, Fábio Oliveira, conta que a pandemia atrapalhou o processo de implantação.
“Em 2019 houve a primeira rodada de negociações [com os detentores da marca, a RCS Sports]. Só que aí teve início a pandemia e só, recentemente, voltamos a negociar. Acabou dando certo para este ano. O projeto de expansão do produto envolve incluir cidades como Londres, na Inglaterra, e Miami, nos Estados Unidos. Aqui no Brasil o contrato garante o evento por pelo menos 5 anos”.
O investimento, mesmo o Brasil não tendo tradição no ciclismo de estrada, se deve ao crescimento da prática do esporte no país. Em 2020, auge da pandemia da Covid-19, números divulgados pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, a Aliança Bike, indicavam inédita expansão na venda de bicicletas.
Entre os motivos estavam o fechamento de academias e demais atividades indoor, por medidas de segurança contra o vírus, aliada à expansão de atividades físicas ao ar livre, entre elas o ciclismo. Dados mais recentes da Aliança Bike apontam uma alta de 34% nas vendas de bikes no primeiro semestre de 2021, em comparação ao mesmo período de 2020.
“O nosso Giro d’Itália brasileiro, mesmo com inscrições limitadas a 2.500 participantes, já conta com quase 1.500 inscritos. Mal anunciamos o evento e já contávamos com parceiros patrocinadores. É um esporte que cresce no Brasil”, avalia Fábio Oliveira.
Outro motivo é o atrativo econômico que um evento dessa magnitude proporciona. Os organizadores estimam que mais de 25 mil pessoas prestigiem o Giro e passem pelo “Expo Village”, espaço exclusivo para exposição e comercialização de materiais esportivos, além de network entre ciclistas, parceiros e patrocinadores.
“Tudo isso ficará no centro do Capivari, a região turística mais privilegiada e procurada em Campos do Jordão, pela quantidade de opções de entretenimento e alimentação. A expectativa é que sejam gerados mais de 10 milhões de reais de impacto econômico apenas na semana do evento, especialmente pelo número de municípios envolvidos entre São Paulo e Minas Gerais. Espera-se, também, que o projeto gere mais de 1500 empregos diretos e indiretos em toda a sua cadeia”, explica Fábio Oliveira.
O empresário do ramo hoteleiro e gastronômico, Ike Elcheino, atua há mais de 20 anos na região de Campos do Jordão. Ele conhece bem o calendário cultural e de entretenimento da cidade, e diz que esse tipo de atração tem se mostrado, na prática, excelente para a economia local.
“Fomenta um turismo de altíssima qualidade, tanto na parte gastronômica quanto na parte de hotelaria. São eventos de magnitude e visibilidade mundial, que atraem diversas famílias. E nós já estamos sentindo o efeito disso dentro das reservas em hotelaria. O crescimento que observamos, sendo bem conservador, é de no mínimo 40% no período do evento”, explica.
Para o presidente da Federação Paulista de Ciclismo, Luiz Claudio dos Santos, o poder público deveria incentivar competições ciclísticas, replicando em outras cidades do país modelos como o do Giro d’Itália Ride Like a Pro. Na maioria das vezes, uma prova de ciclismo de estrada necessita da interdição parcial e até o fechamento total de rodovias importantes, o que exige autorização e muito diálogo com os órgãos públicos e a comunidade impactada.
Negociações que seriam facilitadas com o empenho de prefeituras e governos. “O ciclismo de estrada já vinha ganhando adeptos antes da pandemia, com o surgimento de diversas provas para vários níveis. Com a pandemia, esse processo acelerou, aumentando o uso da bike em geral”, destaca.
Paiol: o inferno na terra
Campos do Jordão, local escolhido para sediar o Giro d’Itália Ride Like a Pro, é uma cidade que fica a 170 quilômetros da capital paulista, 1.628 metros de altitude em relação ao nível do mar e que tem cerca de 50 mil habitantes. Para quem conhece, Campos é considerada o playground dos ciclistas, com um variado leque de montanhas para treino e paisagens de tirar o fôlego.
A prova irá acontecer no dia 3 de abril, com dois percursos disponíveis. O principal tem 110 quilômetros e 2650 metros de ganho altimétrico. O segundo, para os menos treinados, conta com 63 quilômetros e 1350 de altimetria.
Ambos passam pela serra Nova, Velha, Machadinho e cidades vizinhas como Santo Antônio do Pinhal, Sapucaí Mirim e São Bento do Sapucaí. Mas o que diferencia mesmo os percursos, além da quilometragem, é uma das montanhas mais duras do Brasil: a Serra do Paiol. Apenas os atletas do percurso longo irão escalar o “inferno na terra”.
Início da Serra do Paiol, em Campos do Jordão (SP), considerada uma das montanhas mais duras para o ciclismo no Brasil; ao fundo, a Pedra do Baú, ponto turístico da região / Talis Maurício/CNN Brasil
A última vez que a Serra do Paiol foi incluída em uma prova de ciclismo de estrada foi na extinta Copa VO2, em 2014. Desde então, a montanha foi “escanteada” do circuito comercial de provas, justamente por proporcionar experiências tortuosas aos ciclistas.
O trajeto tem 7 quilômetros de extensão, com inclinações que variam entre 13% e 24%. Montanha similar, embora cada uma tenha a sua particularidade, é o Monte Zoncolan, que fica na região de Cárnia, na Itália, e que já foi escalada diversas vezes pela elite do ciclismo mundial em etapas do Giro d’Itália.
“Ficamos com muito medo de colocar o Paiol no trajeto principal. Para a maior parte dos ciclistas do Brasil, que está acostumada a estradas planas, terrenos menos inclinados, ciclovias, talvez não fosse uma boa ideia. Mas aí pensamos, ou a gente coloca um produto diferente, ou seremos mais do mesmo. E aí decidimos arriscar”, conta Fábio Oliveira, sócio-diretor do evento.
O ciclista vai enfrentar a Serra do Paiol após percorrer 71 quilômetros de prova. Depois, ainda restam mais 39 quilômetros até cruzar a linha de chegada. Bicampeão da Copa VO2, Kleber Lopes Bahia, ex-ciclista profissional e hoje responsável por uma assessoria de ciclismo em São Paulo, se recorda bem do sofrimento que é escalar a montanha.
Para ele, o atleta que não souber se poupar e andar em seu ritmo terá sérios problemas para completar o percurso. “O Paiol é duro demais. A gente fica praticamente o tempo todo acima de dois dígitos de inclinação. Para quem vai subir de [bicicleta] speed, tem que ter uma relação leve, cassete 32 para cima”.
O analista de sistemas Gilberto Ramos, ciclista amador desde os 15 anos de idade, também participou das últimas provas de ciclismo de estrada que incluíram o Paiol no trajeto. Ele complementa que, além do cassete 32 na traseira, uma relação adequada nas coroas da frente envolve as opções 50×34 ou 52×36.
“Se hidratar também é fundamental, e alimentação leve pela manhã. Mas o mais importante é o ciclista obedecer ao ritmo dele. Começar o Paiol num ritmo lento, até mais leve do que é capaz, e ir sentindo a montanha, evoluindo aos poucos”, sugere.
Gilberto Ramos lembra de cenas que ficaram marcadas em sua memória durante as escaladas no “inferno na terra”. “Eu subi [o Paiol] em três provas, fora os treinos. Muitos ciclistas não têm nem noção da encrenca que vão enfrentar. Chegam lá e na hora que começa a subida se dão conta da parede, e aí tem início uma chacina (risos). É ciclista fazendo zigue-zague, parando, ciclista vomitando. Vários vomitando! Porque às vezes a pessoa desavisada não faz uma preparação boa, come muito no café da manhã, e quando chega no Paiol acaba passando mal”.
Ciclista sobe a Serra do Paiol, em Campos do Jordão (SP); montanha tem 7 quilômetros de extensão, com inclinações que variam entre 13% e 24% / Divulgação/Giro d’Itália Ride Like a Pro
A organização do evento recomenda que os ciclistas façam ao menos um treino de reconhecimento de percurso, para evitar contratempos com o Paiol. E, também, porque o trajeto irá contar com uma outra novidade que requer expertise extra.
Foi inserida uma rápida passagem de menos de 2 quilômetros por trechos de gravel (chão batido), uma das experiências mais emblemáticas do Giro d’Itália e inédita no Brasil. Como a incidência de furos de pneu pode ser grande, já que bicicletas de estrada, em tese, não são apropriadas para andar na terra, haverá intensificação da operação mecânica nesse trecho da prova.
“Vamos colocar motociclistas mecânicos, com acessórios para emergência, disponibilidade de peças e trocas de rodas, casos os atletas precisem após passar pelo trecho de gravel”, explica Fábio Oliveira, sócio-diretor do projeto. “Com relação à calibragem, recomendamos, para mais aderência e conforto, pneus 25 a 28, com 5 a 10 psi abaixo do que o atleta costuma usar”.
Dicas para não ‘quebrar’
No ciclismo de estrada ou no mountain bike, “quebrar” é o termo utilizado para definir o atleta que gastou todas as energias e que não tem mais reservas para continuar em alto nível. O resultado: ele se arrasta sem forças até concluir a missão. Isso acontece por uma série de fatores, sendo os principais a hidratação e a alimentação inadequadas antes e durante a prova.
O nutricionista esportivo Andre Pellegrini, especializado em atletas de ciclismo, explica quais os riscos em uma prova tão dura como o Giro d´Itália brasileiro e as formas de prevenir a quebradeira. “Provas assim pegam o atleta por duas questões. Uma é a hidratação e a outra é o aporte de carboidratos. Então, você tem que ter um consumo constante de líquidos e carboidratos durante a prova. E de preferência que ambos tenham sais minerais, principalmente potássio e sódio. Chegando perto do Paiol, um aporte extra de carboidrato, um gel por exemplo, é super bem-vindo. Porque assim você se previne, entre aspas, de problemas na subida”.
Pelotão de ciclistas percorre estradas de asfalto na região de São Bento do Sapucaí (SP), durante treinamento e reconhecimento de percurso do Giro d’Itália Ride Like a Pro / Talis Maurício
A alimentação pré-competição deve ser leve, porém rica em carboidratos. Recomenda-se pães, cereais, frutas, massas e até mesmo batata. O ideal é que o atleta acorde cedo e faça o consumo do café da manhã de 2 a 3 horas antes da prova, para evitar qualquer desconforto gástrico.
Covid-19 e segurança
A organização do Giro d’Itália Ride Like a Pro afirma que todas as medidas de prevenção contra a Covid-19 serão seguidas à risca. O uso de máscara na largada, por exemplo, será uma das obrigatoriedades. “Estamos atentos ao aumento de casos no estado de São Paulo. Mas não acreditamos que haverá adiamento da prova. A data está confirmada. E seguiremos todos os protocolos de segurança, como por exemplo exigir dos participantes o uso de máscara na largada”, explica Fábio Oliveira.
Ao todo, serão mais de 600 staffs trabalhando na operação do evento, além de 70 profissionais da área da saúde, entre médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. Também haverá 10 motolâncias, 1 helicóptero para emergências, 150 policiais e 40 brigadistas.
Sobre acidentes envolvendo ciclistas, Fábio Oliveira acredita que o fato de a prova ser toda realizada em percurso contínuo irá reduzir o risco de contratempos. “Não teremos descidas neutralizadas. Número de atletas reduzido, com percurso contínuo, ou seja, sem ciclistas se chocando de frente, foram pilares que embasaram a nossa decisão. Acreditamos que reduzir atletas e evitar vai e vem nas vias já serão suficientes”.
Em setembro do ano passado (2021), o ciclista amador Fredy Tejada, de 65 anos, morreu após uma queda durante a prova L’étape Brasil, também em Campos do Jordão. O acidente aconteceu quando o ciclista descia a Serra Nova, local onde os atletas que vão participar do Giro d’Itália brasileiro também irão passar. De acordo com amigos e companheiros de prova, Fredy Tejada sofreu um traumatismo craniano ao cair.
Serviço
Giro d’Itália Ride Like a Pro Brasil Campos do Jordão – São Paulo Exposição: 1, 2 e 3 de abril Circuito ciclismo de estrada: 3 de abril Mais informações: https://giroridelikeaprobrasil.com.br/
Trem seguia de Pederneiras a Santos (SP); ninguém ficou ferido.
Trem descarrila após desabamento ocasionado pelas chuvas em Jaú — Foto: Arquivo Pessoal
Um trem descarrilou na tarde deste sábado (5) em Potunduva, distrito de Jaú (SP), após um desabamento de terra ocasionado pelas chuvas.
Segundo a assessoria de imprensa da concessionária que administra a malha ferroviária paulista, o trem seguia de Pederneiras a Santos (SP) quando descarrilou. Não houve feridos.
A concessionária informou que trabalha para restabelecer a circulação no local.
Segundo a assessoria da concessionária que administra a malha ferroviária paulista, não houve feridos — Foto: Arquivo Pessoal
Se o testo for aprovado, nova empresa deve iniciar os trabalhos no dia 19 de fevereiro. Contrato temporário será de 12 meses.
Em meio à pandemia, passageiros enfrentam lotação de ônibus em Foz do Iguaçu
A Prefeitura de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, encaminhou para a Câmara de Vereadores um projeto para contratação emergencial de nova empresa para o transporte coletivo.
O projeto foi encaminhado à Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (3) e está em processo de análise nas Comissões Reunidas da Casa, com a relatoria da vereadora Anice Gazzaoui (PL), segundo assessoria da câmara.
O contrato temporário será de 12 meses para que licitação definitiva possa ser feita, de acordo com a prefeitura. Caso o texto seja aprovado, a nova empresa deve iniciar os trabalhos no dia 19 de fevereiro.
A administração municipal, em relatório elaborado pela equipe técnica e jurídica da prefeitura, apontou irregularidades na execução do contrato, como a retirada de ônibus de circulação durante a pandemia sem avisar a prefeitura e a insatisfação dos usuários.